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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Evento A quem interessa a “Reforma” da Previdência? A Psicologia na defesa intransigente dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores

Palestrantes negam a existência de rombo da Previdência e comentam sobre as forças político-empresariais que estão por trás do projeto



Na noite desta quarta-feira (07/02), o Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP) realizou o evento: A quem interessa a “Reforma” da Previdência? – A Psicologia na defesa intransigente dos direitos das trabalhadoras e trabalhadores. A AASP Brasil acompanhou os debates, representada pela tesoureira Ângela Aparecida dos Santos.

“A ideia deste debate pode ser evidente para algumas pessoas e para outras pode ser um absurdo, mas por que o Conselho de Psicologia fomenta um debate sobre a Reforma da Previdência?”, apontou Guilherme Rodrigues Raggi, tesoureiro do CRP. “Quero salientar que a nossa profissão hoje se insere cada vez em mais espaços, seja nas políticas públicas, seja na iniciativa privada ou seja no trabalho clínico, em todos estes espaços somos trabalhadoras e trabalhadores, nós prestamos serviços, nós fazemos gestão e atuamos em atividades que são tão diversas quanto a Psicologia”, expôs.

“Eu trago uma questão conjuntural para pensarmos que é absolutamente marcada por uma disputa de projetos societários em que a democracia e a conquista histórica e a luta dos direitos sociais e trabalhistas estão ameaçados e mais do que isso, algumas delas já, aparentemente perdidas. Sabemos que a Previdência Social e o Benefício da Prestação Continuada (BPC) são instrumentos de enfrentamento da desigualdade social no Brasil e mais, são direitos constitucionais previstos que devem ser garantidos e que possibilitam condições mínimas de vida para as pessoas”, explicou Beatriz Borges Brambilla, conselheira e coordenadora da Comissão de Políticas Públicas do CRP-SP.


O primeiro palestrante da noite foi João Batista Inocentini, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical e representante do deputado federal Paulinho da Força (SD).

“O problema da Previdência é que foram desviando e usando o dinheiro como se fosse dinheiro do Estado. Essa é a cultura que nossos políticos impuseram desde a criação da Previdência Social”, resumiu logo na abertura de sua fala. “De vinte anos para cá, houve um volume muito grande de pessoas que se aposentaram e o rombo começou a aparecer”.

Ele explicou que a constituinte de 1988 criou a Seguridade Social como um “guarda-chuva” para a Previdência Social, a Assistência Social, Saúde e Educação. No entanto, os governos seguintes começaram a desviar as arrecadações e quando o volume de aposentadorias cresceu começou-se a defesa de se desmembrar a Seguridade, dizendo-se que a Previdência deveria “caminhar com as próprias pernas”. “O problema é que o que havia sido desviado nunca retornou para as cofres da Previdência”, alegou.

Em seguida, ouvimos a opinião do deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL). Ele é taxativo: “Não é uma reforma. Trata-se do desmonte da Previdência pública”, defendeu. “As emendas 20 e 41 dos governos Fernando Henrique Cardoso e Lula já haviam sido ataques brutais aos trabalhadores, mas esta proposta de agora é sem precedentes e atende aos interesses das empresas de Previdência privada. Elas ajudaram na elaboração deste projeto”, alegou.

O parlamentar acredita que a reforma se dá dentro de um contexto conjuntural nacional e internacional. “Estamos vivendo mais uma crise do capitalismo que começou em 2008 e o capital não perde nunca, quando ele percebe que vai perder, ele tira de algum lugar. E quando há um colapso ele aprofunda a retirada dos fundos públicos de cada país e é isto que está fazendo hoje no Brasil”, expôs. Neste quadro é que vimos tantos retrocessos (PEC 55, Reforma Trabalhista, terceirização e agora a Reforma da Previdência) acontecerem em curto espaço de tempo. “O Temer precisa entregar este pacote, foi este o trato quando do impeachment da Dilma”, concluiu.

A professora da Universidade de São Paulo (USP) Leni Sato pontuou que precisamos desmistificar essa fala de que há um rombo na Previdência. Isso não é verdade. A Previdência é superavitária, o problema é o mau uso do recurso, os desvios e as isenções fiscais. Ela citou um artigo da especialista Maria Lucia Werneck Vianna que explica ponto a ponto o que ocorre com a Seguridade Social.
Leni lembrou o caso do Chile, que passou por uma drástica reformulação previdenciária a estilo da que as forças conservadoras querem implantar no Brasil. “Somente agora estamos vendo o desastre que está sendo”.

“Não se discute a contrapartida que o governo deveria dar e nem as grandes dívidas das empresas e querem cobrar os trabalhadores por este déficit”, arrematou.
Vinicius Saldanha, representando o Sindicato dos Psicólogos de São Paulo falou dos impactos nefastos deste projeto e que ele é uma das consequências do golpe político, jurídico e midiático que se deu no Brasil. “A Reforma da Previdência é apenas um capítulo desta história. Aliás, a própria Reforma Trabalhista aprovada já dificulta muito o acesso à Previdência Pública”.

Por fim, ouvimos o advogado Claiton Coutinho que abordou a questão dos servidores públicos, que são tidos como “os privilegiados”. “Os servidores públicos não são uma casta privilegiada. O que temos são categorias dentro do Serviço Público que recebem super salários e vantagens, mas isto não abrange a grande massa de trabalhadores”.

Ele também falou sobre o projeto de reforma previdenciária de autoria do prefeito João Dória (PSDB) para o Município de São Paulo e o classificou como “indecente”.





sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Entidades definem 19 de fevereiro como dia de paralisação

Governo não consegue votos suficientes para aprovação da Reforma da Previdência e cogita adiar votação para a última semana



Embora informações na imprensa indiquem que o governo federal não conseguiu ainda os votos suficientes para a aprovação da Reforma da Previdência e que, possivelmente, irá adiar mais uma vez a votação na Câmara dos Deputados, representantes da classe trabalhadora continuam se organizando para que o dia 19 de fevereiro seja de paralisação em todo o país.

Esta foi a orientação discutida na última reunião das entidades, ocorrida na Assembleia Legislativa de São Paulo, no último dia 06. Fátima Zanoni Mastelini, segunda tesoureira, representou a AASP Brasil.

É possível que o governo Temer adie a votação para o dia 28, mas as centrais sindicais e entidades insistem na mobilização como forma de pressão aos deputados e ao governo de que não iremos aceitar mais este retrocesso e ataque aos direitos trabalhistas.

Além da paralisação geral, está previsto um grande ato na Avenida Paulista, na capital de São Paulo, às 16 horas, com concentração no vão do Masp (Museu de Artes de São Paulo). As centrais também estão trabalhando o corpo a corpo junto aos parlamentares nos gabinetes e aeroportos. Também haverá atos em Brasília. Alguns representantes de entidades estarão na capital para participar dos atos.

A próxima reunião da frente de entidades que discute a reforma na Alesp ocorrerá no dia 16, às 10 horas. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

AASP Brasil na luta contra a Reforma da Previdência

A iminência de uma nova Reforma da Previdência está preocupando servidores públicos e trabalhadores da iniciativa privada. Diversas entidades têm se mobilizado a discutir como enfrentar este novo golpe que vem pela frente. E a AASP Brasil está participando ativamente desta luta.

Integramos um grupo de entidades do funcionalismo público que está reunindo-se periodicamente para discutir os pontos da reforma e formas de combatê-la. Os encontros estão ocorrendo no escritório político do deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB). Já foram realizadas duas reuniões, uma no dia 16 de janeiro e outra no último dia 6 de fevereiro.

Nestes encontros discutiu-se a pressa com que o governo pretende aprovar seu projeto, a falácia do argumento de que a Previdência é deficitária.

Elisabete Borgianni, presidente da AASP Brasil avalia que é muito importante explicar ao público em geral que a Reforma apenas vai tirar direitos de trabalhadores, pois, na realidade, a Previdência não é deficitária e o que está em curso é uma perversa estratégia de elevar os lucros do sistema financeiro a partir dos fundos de pensão privados. Elisabete citou os importantes estudos da professora Sara Granemann, docente da Faculdade de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro sobre o tema. Lembrou ainda, que essa estratégia foi utilizada no Chile, já nos anos 1980 e depois o próprio Estado chileno precisou complementar as aposentadorias daqueles que recorreram aos fundos privados.

O deputado faz uma análise pessimista da conjuntura política atual. “O resultado que tivemos na Câmara dos Deputados na semana passada nos preocupa. O governo consolidou maioria na Casa, sinal de que a reforma será aprovada sem dificuldades”, alegou. Para o parlamentar, a maioria da sociedade está “comprando” o discurso do governo de que a Previdência pública irá quebrar caso a reforma não seja aprovada.

Elisabete e o presidente do TJ-SP, Paulo Dimas Mascaretti
O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Paulo Dimas Mascaretti disse que o TJ está elaborando uma nota técnica sobre a proposta de reforma do governo e acredita que talvez uma saída seja propor um projeto alternativo. “Já estamos em conversa com uma bancada que conta com cerca de 70 deputados”, informou.

O desembargador Oscild de Lima Junior, presidente da Apamagis, alertou para o significado político-social da reforma. “Este projeto não é para uma reforma, mas sim para extinguir a Previdência Pública, o que será péssimo para servidores e trabalhadores comuns, já que ninguém terá condições de contribuir por mais de 40 anos”, expôs.

Elisabete também apontou ainda outra preocupação. “Uma das maldades que ninguém está vendo dentro da PEC é relacionada à saúde do trabalhador. A PEC está extinguindo aquelas atividades que prejudicam a saúde do trabalhador. Isso que médicos e advogados do trabalho insistiram por anos a fio que são atividades que prejudicam, isso tem fim na PEC. Tudo terá que ser visto caso a caso com a reforma”, pontuou com o que pode compreender do Seminário Nacional contra a Reforma da Previdência, do qual participou no último dia 4. Ela também falou sobre a importante nota técnica elaborada pelo Dieese que explica detalhadamente cada ponto da Reforma e quais serão as consequências para os trabalhadores.

Na última reunião também se falou sobre a importância de a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) manifestar-se contra a proposta do governo.

Nova reunião foi agendada para o próximo dia 20 para dar continuidade à mobilização.